Rinite e sinusite não são a mesma coisa
A rinite é a inflamação da mucosa que reveste o nariz. Manifesta-se por espirros, coriza clara, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, e obstrução nasal. Pode ser alérgica — a mais comum — ou não alérgica, desencadeada por variações de temperatura, cheiros fortes, poluição, fumaça ou alterações hormonais.
A sinusite, mais corretamente chamada de rinossinusite, envolve também os seios paranasais, as cavidades ósseas ao redor do nariz. Aqui entram dor e pressão na face, secreção espessa amarelada ou esverdeada, redução ou perda do olfato e sensação de peso na cabeça.
As duas se conectam: a rinite mal controlada é um dos principais caminhos para a sinusite. A mucosa inflamada incha, bloqueia os pequenos orifícios de drenagem dos seios da face e cria o ambiente para a infecção.
Rinite alérgica
É uma resposta exagerada do sistema imune a substâncias inofensivas — em São Paulo, tipicamente ácaros da poeira domiciliar, fungos, pelos de animais, baratas e poluição como fator agravante.
Sintomas típicos
- Espirros em salva, geralmente pela manhã ou ao mudar de ambiente.
- Coriza clara e abundante.
- Coceira no nariz, nos olhos, no céu da boca e nos ouvidos.
- Obstrução nasal alternante e respiração pela boca à noite.
- Olheiras e o hábito de "empurrar" o nariz para cima com a mão.
Como se trata
- Controle ambiental — capas antiácaro, redução de tapetes e cortinas pesadas, ventilação e limpeza adequadas do quarto.
- Lavagem nasal com solução salina, feita no volume e na técnica corretos: é medida simples e de grande impacto.
- Corticoide nasal tópico — o principal medicamento para controlar a inflamação da mucosa, com segurança bem estabelecida para uso prolongado sob orientação.
- Anti-histamínicos, associados conforme o perfil dos sintomas.
- Imunoterapia (vacina para alergia), em casos selecionados, para modificar a resposta imune ao longo do tempo.
Sinusite aguda: quando é preciso antibiótico
Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e uma das que mais gera uso desnecessário de antibiótico. A maioria absoluta das rinossinusites agudas é de origem viral e melhora sozinha, com tratamento de suporte.
A suspeita de infecção bacteriana surge em situações específicas: sintomas que persistem por mais de dez dias sem qualquer melhora; quadro intenso desde o início, com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias; ou o padrão de piora depois de uma melhora inicial. A decisão é clínica e individual.
Inchaço ou vermelhidão ao redor do olho, alteração da visão ou dor ao movimentar o olho, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, confusão mental ou febre alta com queda importante do estado geral. São sinais de possível complicação e exigem avaliação de urgência.
Rinossinusite crônica
Define-se pela persistência dos sintomas por doze semanas ou mais. É menos uma infecção e mais uma doença inflamatória crônica da mucosa, e por isso não se resolve com ciclos repetidos de antibiótico.
Costuma se apresentar em duas formas principais: com pólipos nasais, associada a perda de olfato mais marcante e, com frequência, a asma; e sem pólipos. A investigação envolve nasofibroscopia e, na maioria dos casos, tomografia dos seios da face.
O tratamento é prolongado e combina corticoide nasal em doses e formas adequadas, lavagem nasal de alto volume, controle dos fatores associados — alergia, refluxo, tabagismo — e, em casos selecionados, terapias específicas para a inflamação.
Quando entra a cirurgia
A cirurgia endoscópica dos seios paranasais é considerada quando o tratamento clínico bem conduzido não foi suficiente, quando há pólipos extensos, alterações anatômicas que bloqueiam a drenagem ou complicações. Ela restabelece a ventilação e a drenagem dos seios da face — e melhora inclusive a chegada dos medicamentos tópicos à mucosa. Um ponto importante: a cirurgia não substitui o tratamento clínico, que continua no pós-operatório.
O que investigar quando as sinusites se repetem
- Rinite alérgica não controlada.
- Desvio de septo e alterações anatômicas que dificultam a drenagem.
- Pólipos nasais.
- Hipertrofia de adenoide, principalmente em crianças.
- Refluxo laringofaríngeo.
- Alterações imunológicas, em casos de infecções muito frequentes.
- Foco dentário nos seios maxilares.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre rinite e sinusite?
A rinite é a inflamação da mucosa do nariz, com espirros, coriza, coceira e obstrução. A sinusite envolve também os seios paranasais e costuma cursar com dor e pressão na face, secreção espessa e redução do olfato. A rinite mal controlada é um dos principais fatores que levam à sinusite.
Toda sinusite precisa de antibiótico?
Não. A maioria das rinossinusites agudas é viral e melhora sem antibiótico. Ele fica reservado a situações específicas: sintomas intensos com febre alta, quadro que passa de dez dias sem melhora ou que piora após uma melhora inicial.
Rinite alérgica tem cura?
É uma condição crônica, e o objetivo do tratamento é o controle — viver sem sintomas relevantes. Com controle ambiental, medicação adequada e, em casos selecionados, imunoterapia, é possível reduzir muito a frequência e a intensidade das crises.
Corticoide nasal faz mal a longo prazo?
Os corticoides nasais tópicos têm absorção sistêmica muito baixa e perfil de segurança bem estabelecido para uso prolongado com orientação médica. Não confundir com os descongestionantes vasoconstritores de venda livre, esses sim associados a dependência e piora progressiva da obstrução.
Lavagem nasal precisa mesmo ser feita todos os dias?
Na rinite e na rinossinusite crônica, sim — é uma das medidas de melhor relação entre esforço e benefício. O que muda entre os casos é o volume, a concentração da solução e a frequência, que são orientados individualmente.
Quando a sinusite precisa de cirurgia?
Na rinossinusite crônica que não responde ao tratamento clínico bem conduzido, na presença de pólipos extensos, em alterações anatômicas que bloqueiam a drenagem e em complicações. A cirurgia não substitui o tratamento clínico, que segue depois dela.
O conteúdo desta página tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico e a orientação individualizada. Nenhum medicamento deve ser iniciado sem prescrição. Texto revisado por Dra. Daniela Garcia, otorrinolaringologista, CRM-SP 170913 · RQE 89966.