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Desvio de septo e nariz entupido em São Paulo

Respirar mal pelo nariz não é um detalhe: interfere no sono, na disposição, no rendimento e na saúde das vias aéreas. A avaliação identifica o que realmente está obstruindo — septo, cornetos, alergia ou uma combinação dos três — e define o tratamento na medida certa, clínico ou cirúrgico.

Dra. Daniela Garcia · CRM-SP 170913 · RQE 89966 · Membra titular da ABORL-CCF

O que é o desvio de septo

O septo nasal é a parede de cartilagem e osso que divide o nariz em duas fossas nasais. Quando ela não é reta, temos o desvio de septo. Ele pode ser de nascimento, resultante do próprio crescimento facial, ou consequência de um trauma — muitas vezes um trauma antigo, na infância, do qual o paciente nem se lembra.

Um dado importante: a maioria das pessoas tem algum grau de desvio e nunca terá sintoma nenhum. O que define a necessidade de tratamento não é a imagem do desvio, e sim o quanto ele compromete a passagem de ar e a qualidade de vida.

Sintomas que merecem avaliação

  • Nariz entupido persistente, de um lado ou alternando entre os lados.
  • Respiração pela boca, principalmente à noite, e boca seca ao acordar.
  • Ronco e sono que não descansa, com cansaço durante o dia.
  • Sinusites de repetição e sensação de pressão no rosto.
  • Sangramentos nasais frequentes, geralmente do lado mais estreito.
  • Dor de cabeça e diminuição do olfato.
  • Dependência de descongestionante nasal em spray para conseguir respirar.
Atenção

O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores de venda livre pode gerar rinite medicamentosa: o nariz passa a entupir cada vez mais rápido e a depender do spray. Se esse é o seu caso, avise na consulta — o desmame faz parte do tratamento.

Nem sempre o culpado é o septo

Boa parte dos casos de nariz entupido crônico não se explica só pelo desvio. Os principais elementos que entram na conta são:

  • Hipertrofia dos cornetos — estruturas que aquecem e umidificam o ar e que incham em resposta a alergia e irritantes.
  • Rinite alérgica ou não alérgica, com inflamação crônica da mucosa.
  • Rinossinusite crônica e pólipos nasais.
  • Colapso da válvula nasal — a região mais estreita do nariz, que pode "fechar" na inspiração.
  • Hipertrofia de adenoide, principalmente em crianças.

Tratar o septo ignorando esses outros fatores é a principal razão pela qual algumas pessoas operam e continuam com o nariz entupido. Por isso a avaliação precisa mapear tudo antes de decidir a conduta.

Como é feito o diagnóstico

  1. Consulta e história clínica — quando entope, de que lado, o que melhora, o que piora, como está o sono, histórico de alergia e de trauma.
  2. Exame otorrinolaringológico com rinoscopia e avaliação da válvula nasal e da dinâmica da respiração.
  3. Nasofibroscopia — mostra por dentro o grau real da obstrução, o estado dos cornetos, a presença de pólipos, secreção e o tamanho da adenoide.
  4. Tomografia dos seios da face, quando há suspeita de doença dos seios ou para planejamento cirúrgico.
  5. Investigação de alergia quando o quadro sugere rinite alérgica associada.

Tratamento clínico

O desvio em si é uma alteração anatômica e não se corrige com medicação. Mas a parcela inflamatória da obstrução — que costuma ser grande — responde bem ao tratamento clínico, e em muitos casos isso basta para o paciente voltar a respirar bem:

  • Corticoide nasal tópico, o pilar do tratamento da inflamação da mucosa.
  • Lavagem nasal com solução salina, feita na técnica e no volume corretos.
  • Controle ambiental e de gatilhos alérgicos.
  • Anti-histamínicos e, em casos selecionados, imunoterapia para alergia.
  • Tratamento específico da rinossinusite, quando presente.

Septoplastia e turbinoplastia

Quando o componente anatômico é determinante e o tratamento clínico não foi suficiente, entra a cirurgia. A septoplastia reposiciona e remodela as porções desviadas de cartilagem e osso do septo, ampliando o espaço de passagem do ar. Ela é frequentemente combinada com a turbinoplastia, que reduz o volume dos cornetos preservando sua função de aquecer e umidificar o ar.

  • Acesso: por dentro das narinas, sem cortes externos e sem cicatriz aparente.
  • Anestesia: geral, em ambiente hospitalar.
  • Duração: em média de 1 a 2 horas, variando conforme o que precisa ser corrigido.
  • Internação: normalmente alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
  • Tampão: as técnicas atuais dispensam o tampão tradicional na maioria dos casos; costumam ser usados splints de silicone com canal de ar, retirados em poucos dias.

Como costuma ser o pós-operatório

  • Primeiros dias: nariz congestionado por edema interno, repouso relativo, cabeceira elevada e lavagem nasal frequente.
  • Cerca de 7 dias: retirada dos splints e retorno a atividades leves e trabalho de escritório.
  • 3 a 4 semanas: liberação progressiva de exercícios, conforme orientação.
  • Semanas seguintes: a respiração melhora de forma gradual, à medida que o edema cede e a mucosa se recupera.

Como toda cirurgia, a septoplastia tem riscos, que são discutidos individualmente na consulta pré-operatória, junto com as expectativas realistas de resultado para o seu caso.

Septoplastia ou rinoplastia?

São cirurgias diferentes e com objetivos diferentes. A septoplastia trata a estrutura interna e a função respiratória. A rinoplastia trabalha a forma externa do nariz. Quando existe indicação funcional e desejo estético ao mesmo tempo, a cirurgia é planejada como rinoseptoplastia, resolvendo os dois aspectos em um único procedimento e uma única recuperação.

Perguntas frequentes

Todo desvio de septo precisa de cirurgia?

Não. A maioria das pessoas tem algum grau de desvio e nunca vai precisar operar. A cirurgia entra em pauta quando o desvio causa sintomas relevantes e o tratamento clínico das causas associadas não foi suficiente.

A septoplastia muda o formato do nariz?

A septoplastia atua na estrutura interna e, por si só, não tem o objetivo de mudar a aparência externa. Quando há também um desejo estético, a cirurgia indicada é a rinoseptoplastia, que trata função e forma no mesmo tempo cirúrgico.

Vou ficar com tampão no nariz?

Na maioria dos casos, não no formato antigo. É frequente o uso de splints, lâminas finas de silicone com um canal para passagem de ar, retiradas em poucos dias no consultório e bem mais confortáveis do que os tampões tradicionais.

Quanto tempo dura a recuperação?

A maior parte dos pacientes retoma atividades leves em torno de 7 dias e exercícios de forma progressiva a partir de 3 a 4 semanas. A melhora da respiração é gradual, acompanhando a redução do edema interno.

Plano de saúde cobre?

A septoplastia com indicação funcional consta no rol de procedimentos da ANS. A cobertura depende dos critérios, das carências de cada operadora e da documentação médica apresentada. O atendimento no consultório é particular, e a análise da cobertura do procedimento deve ser feita junto ao seu plano.

Por que só um lado do nariz entope?

O nariz tem um ciclo fisiológico em que os cornetos de um lado incham enquanto os do outro desincham, alternando ao longo do dia. Com um desvio de septo, esse ciclo normal passa a ser sentido como entupimento alternado, porque o lado mais estreito não tolera nenhum inchaço adicional.

Criança pode operar o septo?

A conduta em crianças é mais conservadora, porque o septo participa do crescimento do nariz e da face. A cirurgia é reservada a casos selecionados, com técnica adequada à idade. Em crianças, a causa mais comum de obstrução é a adenoide, e não o septo.

O conteúdo desta página tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico e a orientação individualizada. Resultados e condutas variam conforme cada caso. Texto revisado por Dra. Daniela Garcia, otorrinolaringologista, CRM-SP 170913 · RQE 89966.

Descubra o que está obstruindo

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